O disco ficou exposto ao sol
Silencio arredio e febril
Abril, março e fevereiro riscado
Ondulações na faixa décima
Recuado sentimento do alto
Apagadas trilhas pelo ócio
Movimentada rua estreita
Liquidifica o som a baixo
Voa o corpo picado da capa
A janela descansa os cotovelos
Suaviza do sul a voz emprestada
Sentimento recusado por saber
A beira da língua salivada
Sereníssima no copo fosco de vidro
Desencontrada com a piedosa distancia
Letras órfãs espalhadas pelas caçadas
Agarradas aos pés descalços
Na sola do sapato que passou
O corpo triste descansou ao terceiro passo
Pingentes, pulseiras e aparatos sobre a mesa
Na mesma distancia lúcida do desejo
Gaveta aberta numa certa delicadeza
O encontro das peças pelas mãos elevadas
Do espelho os ombros desnudos do corpo
Despenca a agulha cega arremessada da cozinha
O gosto de leite desce garganta abaixo só de ver
Recorda à tarde nas cadeiras pintadas
Bebendo com os olhos uma por bem menos
Girando o novo disco castrado pelo grito
O sol do alto queima a ultima linha
Gargalhando do canto norte a beleza
Borrada imagem oleosa na parede
Caneta estourada no bolso descosturado
Chegou, cantou, rasgou o ultimo verbo
Folhas caindo pra esperar chuva
Atrasadas lavadeiras de calçadas
No parque passeou na cabeleira
Beirou o mar de ressaca
Dobrou mais uma imagem
Na candura da alma sedada
Dobro ou nada viu desde já